Olinda - O momento que me inspirou escrever poesias foi quando meus filhos tiveram que cursar faculdade em outras cidades. Eu não estava mais casada e acabei entrando em depressão por estar sozinha e ter passado por tantas dificuldades. Meu primeiro trabalho foi: “A menina e a vida”, um dos meus livros favoritos e que fiz questão de registrar. Depois escrevi outros como: “Ilha do Vento e Caminho Escuro”.
Alvo da Mídia - Para realizar seu sonho, quais as dificuldades que a senhora encontrou?
Olinda - Minha vida foi difícil porque sempre tive que trabalhar. Por conta disso nunca tive oportunidade de freqüentar uma escola, e hoje sinto a necessidade de estudar, pois sei que para ser uma escritora preciso antes ter uma boa formação educacional. Ao longo da minha história, nunca encontrei alguém que pudesse de alguma forma me dar um apoio. Um dia cheguei ao ponto de querer jogar meus livros e poesias no Rio Almada, mas aí pensei em tudo que já tinha acontecido comigo e decidi não esmaecer naquele momento, pois eu queria e ainda quero ser uma escritora.
Alvo da Mídia - A senhora já participou de algum concurso?
Olinda -Sim. Participei em 2005 do Concurso Talento da Maturidade do Banco Real – com a poesia “Pequena Taça” e em 2006 concorri com 02 poesias, O Papagaio e o Rio sem Vida no concurso da Prefeitura Municipal de Coaraci.
Alvo da Mídia - Foi gratificante participar desses concursos?
Olinda - Com certeza. Não ganhei prêmios em nenhum desses concursos, porém adquiri experiência. O Banco Real enviou para mim um certificado agradecendo minha participação, e no dia do meu aniversário ligaram parabenizando meu trabalho. Esse tipo de ação me incentiva cada vez mais tentar realizar meu sonho.
Alvo da Mídia - Para tentar ser uma escritora, o que senhora tem feito?
Olinda - Hoje com 62 anos fiz minha matricula na escola Jorge Viana e estou pela primeira vez em sala de aula. Faço isso porque não desisto do meu objetivo, e sei que posso um dia conseguir alcançá-lo. Diante disso, agradeço a minha amiga Simone, que incentivou minha ida para a escola, pois mesmo sabendo ler e escrever não tenho formação educacional, e por conta disso não leio e escrevo corretamente.
Alvo da Mídia - Além de poesias a senhora escreve livros e romances?
Olinda - Sim. Tenho livros como: Caminhos Escuros, A Ilha e o Vento, A menina e a Vida (que foi meu primeiro livro escrito há 15 anos atrás). Em 2000, escrevi Vidas Estranhas que relata a realidade das drogas, porém não dei continuidade, pois tenho outros quatro livros que ainda não consegui registrar. A única obra que consegui registrar foi A Menina e a Vida.
Alvo da Mídia - Qual é o seu maior sonho?
Olinda - Meu maior sonho é publicar meus livros e me tornar uma escritora. É um desejo tão imenso que estou freqüentando a escola para adquirir conhecimentos e poder escrever minhas poesias e livros de forma correta.
Alvo da Mídia - Para criar poesias e livros, como a senhora encontra inspiração?
Olinda - Minha inspiração vem do dia-a-dia, da vida e da natureza. Não sou a favor da destruição da natureza, do cativeiro de animais e da poluição do meio ambiente. É voltado nesse pensamento que sempre que me deparo com alguma situação que chama atenção crio uma poesia com facilidade.
Alvo da Mídia - O que levou a senhora matricular-se em uma escola?
Olinda - Meu sonho, pois sei que para ser uma escritora é preciso ter conhecimento literário e infelizmente não tenho. Hoje quero aprender a distinguir, um romance, uma poesia, um livro, e quero ter independência para escrever e usar um computador para fazer meus trabalhos, porque atualmente tenho que pedir auxílio aos meus filhos e amigos.
Alvo da Mídia - O que a senhora pensa em relação ao desmatamento e poluição do meio ambiente?
Olinda - Penso que as pessoas deveriam refletir mais e reciclar suas idéias, porque é da natureza que sobrevivemos. Nós seres humanos somos completamente dependentes da cadeia biológica, só que mesmo assim não damos conta de tanta poluição e destruição que causamos todos os dias.
Alvo da Mídia - Deixe sua mensagem para aqueles que têm um sonho, e que ainda não conseguiu alcançá-lo.
Olinda - No mundo atual a concorrência pelo sucesso está cada vez maior e o mundo não pára para ouvir seus anseios. Gostaria de dizer isto para quem tem um sonho ou um desejo, mesmo que seja pequeno, mas que seja de coração não desista, pois, nenhuma muralha é tão forte que não pode ser derrubada quando existe, amor, fé e persistência.
Um trabalho da artista:
Araponga:
Eu queria ser um pássaro
uma araponga.
Mas queria viver longe da gaiola
Cantar livre em cima das árvores bem altas
Com um canto lindo que ela tem
Seria eu uma das grandes cantoras da floresta
Sabia eu que a natureza é uma beleza
E com certeza a araponga preserva a natureza
Também queria ser uma garça
Ela é muito elegante, branca, representa a paz
Bonita, pisando leve em cima das baronesas
Parece uma deusa encatanda
Ela é a própria natureza preservada
Com seu pescoço comprido
Como se estivesse mostrando sua elegância
Suas pernas magrinhas, mas, é tão bonitinha
Suas asas parecem asa delta pegando voou
Ela é filha da natureza
Não polui, vive na água dos rios
Se alimenta de peixinhos e insetos
Não causa danos a flora
Eu penso assim: se eu fosse esse pássaro aquático lindo
Com essas asas grandes eu ia voar, voar, até cansar no ar.
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